Vereadores criam lei de proteção para o prefeito, evitam investigações, e buscam ‘desgaste zero’

Quem tinha achado que o fim do poço político da Câmara Municipal de Uberaba tinha chegado no início da semana, quando vereadores arquivaram dois pedidos de impeachment de Paulo Parado Piau sem nem levar para análise e votação de abertura de investigação no Plenário, estava engando. O poço, pelo jeito, era mais fundo ainda… Deprimente.
Os vereadores aprovaram hoje emenda à Lei Orgânica, e dessa vez nem foi a mando de Piau, mas de Luiz Neto, que “estabelece critérios para o recebimento de denúncias contra agentes políticos”. Pode? Entendeu o que significa?
Significa que os vereadores não querem fazer nem o mínimo daquilo para que foram eleitos… As principais funções dos vereadores é fiscalizar e investigar o prefeito, e com tal lei qualquer denúncia contra Piau, por exemplo, não será mais investigada, mas será abortada, ou até negociada, antes de chegar no Plenário. Ou seja, como o pedido de impeachment feito pelo advogado Vicente Araújo (foto), seria arquivado sem ser nem analisado pelo Plenário.
Os vereadores tentam evitar mais desgastes ais próprios e a Piau, que tem atualmente 78%, segundo pesquisas, de desaprovação da população. Os pedidos de impeachment causaram mais desgastes ao grupo político de Piau, que quer eleger o sucessor em 2020, e com tal lei pretende evitar.
E mais do que isso, tal emenda representa uma afronta a democracia e transparência, tanto de prefeito, quanto de vereadores. Já que o cidadão que não tiver um mandato não terá mais chance de denunciar, pelo menos na CMU, os desmandos do Poder Executivo. O projeto foi aprovado em primeiro turno.
Depois acham ruim que chamem Uberaba de curral do zebu, mas não tem jeito.

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